Planalto

Surdo tenta assaltar posto com bilhete na mão. “Isso é um assalto”

Ao prenderem o homem, os policiais militares precisaram escrever num papel para se comunicarem com o preso, pois não sabiam libras

Por Cidade Urgente

6 de dezembro de 2018, 07h38

Um homem de 30 anos foi preso em flagrante nesta quarta-feira (5) acusado de tentar assaltar um posto de gasolina no bairro Água Verde, em Curitiba. Seria uma situação corriqueira, não fosse a maneira com que o assaltante tentou efetuar o crime. Surdo e incapaz de falar, ele – que não teve o nome divulgado – passou um bilhete para um dos funcionários dizendo que estava armado. Eles não caíram na conversa, a ação não deu certo e ele foi preso.

“Isso é um assalto, passa tudo que eu estou armado”, dizia o bilhete que o homem apresentou à vítima. A funcionária da loja de convivência chamou o gerente, que com a ajuda de um frentista, segurou o assaltante. Com a chegada da polícia, o rapaz foi detido em flagrante. Durante a revista constatou-se que o homem não estava com arma e também não portava consigo nada que pudesse ferir as vítimas.

O homem foi encaminhado à Central de Flagrantes, que fica agora no bairro Portão, em Curitiba.

Pânico, mas alívio

“Quando eu dei bom dia e ele não respondeu, falei novamente. Nisso ele entregou o bilhete dizendo que era assalto e eu até achei que poderia ser uma pessoa com problemas, mas percebi pelos sinais que ele fazia que ele realmente queria assaltar”, contou a funcionária, que tem 19 anos e não foi identificada.

Segundo a jovem, quando viu que estava em apuros, mas que o assaltante não ofereceria riscos, chamou o frentista. “Gritei por ajuda e falei da situação, nisso o frentista mesmo já viu que ele não estava armado e o seguramos até à Polícia chegar”.

A funcionária da loja de conveniência disse que trabalha no posto desde julho deste ano e que nunca tinha sequer sido assaltada. “Foi assustador, porque mesmo ele não mostrando a arma, a gente leva a sério. Uma situação pra lá de inusitada, mas que me deixou muito assustada mesmo. O alívio veio quando vimos que ele não estava armado”.

Prisão inusitada

Ao prenderem o homem, os policiais militares precisaram escrever num papel para se comunicarem com o preso, pois não sabiam libras (a Língua Brasileira de Sinais). Já na delegacia, o homem preso teve o apoio de um intérprete do Instituto Federal de Educação (IFPR), que ajudou na conversa. “Ele disse aos policiais que é usuário de drogas e que roubaria para sustentar o vício”, disse o intérprete Maikon Costa.

Segundo Costa, a situação foi complicada até para ele. “É triste, né? Percebi que é um surdo-mudo inteligente, que entende muito bem libras e sabe escrever. Ele poderia até já estar trabalhando e se dando bem na vida”, lamentou.

O delegado Fábio Machado, que fez o registro da prisão em flagrante do homem, disse que foi a primeira vez que viu algo do tipo. “Pra mim, inédito. Algo muito inusitado mesmo e que demonstra até certa fragilidade pela condição do preso”, explicou.

Sem nenhum antecedente criminal, o homem deve ser autuado por tentativa de assalto, mas não deve ficar preso. “Ele entrou como incapaz, ou seja, situação crítica. Mas vai passar por audiência de custódia e pode ser que responda em liberdade, até mesmo pela gravidade da situação”.

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