Saúde alerta população sobre ineficácia das máscaras de tecido

Para ter eficácia, a máscara deve ser confeccionada de material não tecido, possuir uma camada interna e outra externa com um elemento filtrante

Por Programa do Tatu

25 de março de 2020, 17h29

Passageira de ônibus no terminal Bandeira, adere ao uso de máscaras descartáveis por precaução contra o coronavírus

A Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) alerta a população sobre o uso de máscaras para prevenir o contágio do coronavírus, especialmente as confeccionadas em tecido, que podem estar sendo comercializadas de maneira informal. Instrução normativa da Secretaria de Estado da Saúde estabelece que máscaras de tecido – como as utilizadas em frigoríficos e outras indústrias – não são recomendadas “sob qualquer circunstância” para prevenção ao Covid-19.

Segundo a normativa, para proteção de gotículas – forma de contágio do coronavírus – são recomendadas as máscaras cirúrgicas, “que devem ser utilizadas para evitar a contaminação da boca e nariz do profissional de saúde, a uma distância inferior a dois metros do paciente suspeito ou confirmado de infecção”, explica a farmacêutica Renata Pitito, da Secretaria Municipal de Saúde.

Para ter eficácia, a máscara deve ser confeccionada de material não tecido, possuir uma camada interna e outra externa com um elemento filtrante. A camada externa e o elemento filtrante devem ser resistentes à penetração de fluidos transportados pelo ar (repelência). O material deve possuir eficiência de filtragem de partículas (EFP) maior que 98% e eficiência de filtragem bacteriológica (BFE) acima de 95%.

“A máscara deve cobrir toda a área do nariz e boca, possuir clipe nasal de material maleável que permita ajuste ao contorno do nariz e das bochechas. Além dos profissionais de saúde, a máscara também é recomendada a pessoas com suspeita de coronavírus, para evitar possível contágio de pessoas próximas”, acrescenta a secretária municipal de Saúde, Cecília Cividini. A coordenadora de Vigilância em Saúde, Maristela de Azevedo Ribeiro, informou que a Covisa apura denúncia de venda deste tipo de máscara com indicação para coronavírus.

Em todo caso, a população precisa se cuidar. “As máscaras de tecido não são recomendadas em hipótese alguma para prevenção ao vírus. E pior, elas geram falsa sensação de segurança e levam as pessoas a relaxar nos cuidados obrigatórios para prevenir o contágio”, acrescentou a secretária, recomendando o isolamento social, a higienização constante das mãos e superfícies de contato constante com água e sabão ou álcool gel e a limpeza de casa com produtos a base de cloro.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou fabricação de máscaras em TNT (tecido não-tecido, obtido através de liga de fibras e um polímero) sem prévia autorização, porém é exigido laudo de eficiência e de filtragem bacteriana.